
Capítulo IAs lágrimas do céu insistiam em rolar pela janela do meu quarto, numa tentativa frustrada de me acordar. O que elas não sabiam, era que eu não estava nem um pouco afim de sair do calor do meu quarto para enfrentar a frieza de uma sociedade nervosa. Tudo que mais queria agora era ficar quieta em casa.
Eu sempre tentei fazer com que ninguém percebesse a dor que invadia meu coração, mas dessa vez eu não conseguiria. A primeira pessoa que me perguntasse “Tudo bem?” seria alvo da minha choradeira. E com toda certeza, essa pessoa se sentiria culpada por me fazer criar outro oceano no mundo.
Nunca imaginei que ficaria assim por coisas tão fúteis, mas é… Fui fraca e me deixei levar. Olha só no que deu. Agora sou mais uma dessas garotas desiludidas que fica deitada ouvindo músicas melosas esperando por algo ou alguém que a faça criar esperanças pra levantar a cabeça novamente.
Meus amigos sempre foram as mãos que me tiravam do poço e falavam “LEVANTA DAÍ, ORDINÁRIA”, mas agora nem mesmo à eles eu tenho. O que foi que eu fiz? É apenas essa pergunta que fica martelando em minha mente o tempo inteiro. Todos se afastaram de mim e eu nem mesmo sei o que fiz de errado pra isso acontecer.
Espera! Claro que sei o que fiz. Sim, claro. Eu apenas fui verdadeira e disse o que realmente estava acontecendo. Eles deram as costas para a realidade e eu apenas encarei-a tentando ser uma barreira firme e forte, protegendo-os para que ela não atirasse uma faca contra eles. Isso, exatamente.
Eles nem imaginam o que seria capaz de fazer para protegê-los. Se soubessem iriam me perdoar, claro que iriam, são meus amigos. Mas todos agora me falam que se fossem meus amigos de verdade, não teriam feito isso comigo, sabe? Deixar-me assim.
Eu nunca fui garota de ficar correndo atrás e com certeza foi esse meu orgulho que me fez perder quem eu mais amava. Mas eu não sou a maior culpada em toda essa história. Eles acreditaram na primeira pessoa que foi dizer-lhes coisas sobre mim. Eles deviam ter vindo até aqui perguntar se tudo que ouviram era verdade, mas não, apenas ouviram um lado da história sem consultar a pessoa que sempre esteve ao lado deles.
Tudo bem. Serei forte e tentarei passar por cima de tudo isso. Infelizmente não será fácil, mas como dizem por aí: “O que vem fácil, vai fácil”. Eu sei que o caminho florido nem sempre é o melhor, e que aquele labirinto estreito, comprido e cheio de espinhos talvez tenha um grande prêmio no fim. Então, lutarei até que se esgotem as minhas forças, pois o meu prêmio é valioso.